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Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, é escolhido líder supremo do Irã

 

Filho de aiatolá morto na guerra foi eleito por órgão composto por 88 clérigos de alto escalão





O Irã elegeu Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei, como novo líder supremo do país neste domingo (8), uma semana após o pai ser morto em ataque dos Estados Unidos e Israel.

Mojtaba foi escolhido pela Assembleia de Peritos do Irã, um órgão composto por 88 clérigos eleitos de alto escalão encarregados de escolher o líder supremo. Até então, a Assembleia havia eleito um novo líder apenas uma vez desde a fundação da República Islâmica, em 1979.

Foi quando Ali Khamenei foi escolhido às pressas após a morte do aiatolá Ruhollah Khomeini, há mais de três décadas.

Mais cedo neste domingo (8), Hosseinali Eshkevari, membro da Assembleia de Peritos do Irã, havia afirmado que o nome de Khamenei permanecerá como líder do Irã.

"Com a maioria dos votos, foi escolhida a pessoa que dará continuidade ao legado do Imam Khomeini e do mártir Imam Khamenei. O nome de Khamenei permanecerá. A votação já foi realizada e o resultado será anunciado em breve", disse Eshkevari em um vídeo divulgado pela mídia iraniana.


Quem é Mojtaba Khamenei?

Motjaba Khamenei, 56 anos, é o segundo filho do aiatolá Ali Khamenei e ocupa o cargo de clérigo de posição intermediária.

Ele é conhecido por exercer influência significativa nos bastidores e por ter fortes ligações com a IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica), a força militar mais poderosa do país, bem como com a sua força paramilitar voluntária Basij.

Segundo três autoridades, a Guarda pressionou por sua nomeação, argumentando que ele possuía as qualificações necessárias para conduzir o Irã neste momento de crise.


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Por que Mojtaba Khamenei, novo líder supremo do Irã, é um mistério até mesmo dentro do seu país?


O Irã nomeou Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo recentemente morto, como sucessor de seu pai, segundo comunicado de clérigos do alto escalão publicado na mídia estatal na noite deste domingo, 8. O movimento sinaliza a continuidade do regime teocrático de linha dura enquanto ataques aéreos de Israel e dos Estados Unidos atingem o país.

O próprio Khamenei, no entanto, é uma espécie de mistério até mesmo dentro do Irã.


Filho do recém-assassinado líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, ele tem sido uma figura influente nas sombras do poder, coordenando operações militares e de inteligência no gabinete de seu pai. Ele é conhecido por ter laços muito estreitos com a poderosa Guarda Revolucionária do Irã e era considerado o candidato favorito do grupo.

Diferente de seu pai, Mojtaba Khamenei, de 56 anos, tem as credenciais religiosas completas como aiatolá no momento de sua ascensão. Ele era conhecido por ministrar aulas populares em seminários xiitas.

No entanto, sua personalidade ou inclinação política fora do círculo íntimo de seu pai não são conhecidas. Ele raramente fala ou aparece em público. Agora, ele assumirá o leme não apenas como a nova autoridade religiosa e política do Irã, mas também como o comandante-em-chefe de suas forças armadas

“A escolha de Mojtaba é uma opção pela continuidade em relação ao pai, e também porque ele está mais preparado do que outros candidatos para consolidar o poder rapidamente e afirmar o controle sobre o sistema”, disse Vali R. Nasr, especialista em Irã e Islã xiita na Universidade Johns Hopkins (EUA).

Ele acrescentou que Khamenei era considerado um sucessor há muito tempo, mas que, nos últimos dois anos, parecia ter saído do radar.

Ali Khamenei havia indicado a conselheiros próximos que não queria que seu filho o sucedesse, pois não desejava que o cargo se tornasse hereditário, segundo três autoridades iranianas de alto escalão familiarizadas com o processo de seleção. Eles falaram sob condição de anonimato para discutir questões internas sensíveis.

Afinal, a Revolução Islâmica de 1979 derrubou uma monarquia com a promessa de acabar com a transferência hereditária de poder e devolvê-lo ao povo.

Mas a ascensão de Mojtaba Khamenei sugere que os círculos de poder do Irã — os clérigos mais velhos, a Guarda e políticos influentes, como o chefe do Conselho de Segurança Nacional, Ali Larijani — cerraram fileiras em um momento de crise aguda e guerra.

Larijani, político veterano pragmático que assumiu o centro do palco na administração do país, e Khamenei são velhos aliados e amigos. Ambos também têm influência nas forças armadas.

A Guarda Revolucionária foi fundada como força ideológica encarregada de defender a República Islâmica e suas fronteiras, servindo como amortecedor de segurança em caso de deserções ou golpes no exército.

Desde então, a Guarda se transformou em uma potência política, militar e econômica. É ela quem dirige as ondas de mísseis balísticos e drones contra Israel, países árabes no Golfo Pérsico e bases e embaixadas dos Estados Unidos na região, enquanto os massivos ataques aéreos americanos e israelenses continuam.

Khamenei foi selecionado pela Assembleia dos Peritos, composta por 88 clérigos xiitas de nível sênior. Enquanto a assembleia debatia na terça-feira, 3, Israel atingiu um edifício em Qom, uma das principais sedes do poder do Islã xiita, onde eles tradicionalmente se reuniriam para votar em um novo líder. No entanto, o prédio estava vazio, segundo a agência de notícias Fars, ligada à Guarda Revolucionária, e os clérigos estavam reunidos virtualmente por segurança.

Durante as deliberações, a maioria dos clérigos pressionou pela nomeação de Khamenei, argumentando que ele tinha as qualificações necessárias para conduzir o Irã neste momento, conforme as três autoridades iranianas. Alguns clérigos disseram que, após o aiatolá ter sido morto pelos Estados Unidos e Israel, escolher o filho honraria seu legado.

“Mojtaba é a escolha mais sensata agora porque ele está intimamente familiarizado com a gestão e coordenação dos aparatos de segurança e militares”, disse Mehdi Rahmati, um analista em Teerã, em entrevista. “Ele já estava encarregado disso.”


Contudo, Rahmati reconheceu que a nomeação traz o risco de polarizar ainda mais uma população que está profundamente dividida, com muitos iranianos se opondo fortemente ao regime da República Islâmica.

“Uma parte do público reagirá de forma negativa e contundente a essa decisão, e haverá uma reação adversa”, disse ele.

Ali Khamenei tinha a palavra final em todos os principais assuntos de Estado. Ele mostrou pouca flexibilidade em reformas domésticas e ofereceu poucas concessões nas negociações nucleares com os Estados Unidos. Ele ordenou a repressão letal aos protestos nacionais em janeiro, que pediam o fim de seu governo.

As forças de segurança mataram pelo menos 7 mil pessoas durante essa repressão, segundo grupos de direitos humanos que afirmam que os números podem aumentar significativamente após a conclusão da verificação.

Desde o início da guerra, os ataques aéreos dos EUA e de Israel mataram não apenas o pai de Mojtaba Khamenei, mas também sua mulher, Zahra Adel; sua mãe, Mansoureh Khojasteh Bagherzadeh; e um filho, informou o governo iraniano.

Outros candidatos considerados finalistas para o cargo de líder supremo foram Alireza Arafi, um clérigo e jurista que fez parte do conselho de transição de liderança de três pessoas nomeado após a morte de Ali Khamenei, e Seyed Hassan Khomeini, neto do pai fundador da Revolução Islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini.

Arafi e Mojtaba Khomeini são vistos como moderados, sendo este último próximo à facção política reformista marginalizada no Irã.

Alguns analistas sustentam que Khamenei ainda pode se inclinar para reformas, apesar do estilo de seu pai. Argumentam que ele pertence a uma geração de clérigos mais jovem e pragmática e que, devido à sua linhagem, enfrentaria menos resistência das facções conservadoras e de linha dura.

Abdolreza Davari, um político próximo a Khamenei, disse em entrevista que, se Khamenei de fato sucedesse seu pai, ele poderia emergir como uma figura ao estilo do príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, que trouxe alguma liberalização à sua sociedade.

“Se existe alguém que poderia avançar em direção a algum tipo de redução do tom contra os Estados Unidos, é ele — qualquer outra pessoa enfrentaria resistência da classe dominante e dos conservadores”, disse Davari. “Ele pretende trazer mudanças estruturais.”

O modo como Washington o verá é incerto. Na terça-feira, o presidente Donald Trump disse que muitas das pessoas que seu governo via como potenciais líderes do Irã foram mortas desde o início dos combates. “Em breve, não conheceremos ninguém”, disse ele.

Questionado sobre o pior cenário no Irã, ele disse: “Acho que o pior cenário seria fazermos isso e alguém assumir que seja tão ruim quanto a pessoa anterior. Certo, isso poderia acontecer. Não queremos que isso aconteça.”

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